A reforma consiste na conversão de um loft de 50m2 em um apartamento de um dormitório para acomodar a vida de dois recém casados.Como premissa, entendeu-se que a intervenção deveria ser concisa, resultado do menor número de intervenções possíveis, partindo do remodelo da cozinha e a criação do dormitório, adaptando o espaço às necessidades da vida a dois.
O apartamento foi então disposto e dimensionado em volta de dois eixos “descobertos”. Isto é, foi organizado a partir das pedras de soleira que acomodavam as antigas esquadrias que dividiam o apartamento numa espécie de grande cômodo integrado e uma falsa varanda com ares de aquário. A partir dessa divisão, cada quadrante recebeu uma parte do programa – suíte, lavabo, cozinha, sala de jantar, sala de estar e home office – organizados em volta de um volume funcional que atravessa o apartamento contendo o cooktop, o forno, um novo armário e um pequeno escritório.
A nova forma do apartamento o organiza em um percurso interno de luz e sombra. O Quarto fica resguardado, mais silencioso, mais escuro, uterino. Passa-se à cozinha, protegida do sol direto mas aberta à vista do bairro. Dela, revelam-se as salas, solares e abertas ao convívio.
As transições entre ambientes são demarcadas por transições de materiais e níveis: A laje é exposta na sala de jantar e na cozinha e pintada no quarto; já entre sala de jantar e estar há um pequeno desnível no piso e um grande forro iluminante; o escritório repete a manobra – difere do piso adjacente e não recebe forro.
Decidiu-se pela manutenção do máximo de elementos possíveis – enfaticamente os pontos de hidráulica e piso, do qual apenas 4 peças foram trocadas por peças antigas, encontradas em cemitérios de cerâmica.
O aparador investiga o mobiliário enquanto uma pequena infraestrutura residencial. Aqui, o móvel foi concebido enquanto um mostruário perene para objetos do lar. Para tanto, dois planos horizontais são estruturados sem obstruções visuais - gavetas, portas ou outros volumes opacos - e distanciados entre si por barras de aço carbono calandrado. Três dessas barras formam cada um dos dois tripés de sustentação central. Esbeltos e resistentes, estes partem do chão atravessando o plano inferior para aflorar em um cálice tripartido. Ao longo do caminho, pequenas peças impedem que elementos coplanares se toquem assim gerando um objeto todo vazado que, por conta desses travamentos, trabalha como um sistema de vigas e pilares compostos. Disponível em uma seleção de larguras, madeiras e diferentes acabamentos de aço carbono ou inox.